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Dá para fazer o site da empresa com IA? O que aprendemos usando o Lovable

Por Carlos Farnesi 5 min de leitura

Resposta rápida

Dá, mas depende do que você chama de site. O Lovable gera aplicações React com banco de dados e é muito bom em painéis, ferramentas internas, protótipos e landing pages de campanha — coisas que não dependem de aparecer no Google. Para site institucional, blog ou e-commerce que precisam ranquear, ele esbarra num limite técnico: gera aplicações que montam a página no navegador, e busca funciona melhor com conteúdo que já vem pronto no HTML. A cobrança é por créditos e varia com a complexidade, então a conta não é fixa. O ponto mais importante antes de começar é ligar a sincronização com o GitHub, disponível em todos os planos: assim o código fica num repositório seu e você não fica preso à ferramenta.

Você já viu alguém montar um site inteiro conversando com uma inteligência artificial e pensou: então eu não preciso mais de agência? A pergunta é justa, e quem trabalha com isso deveria responder de frente em vez de fingir que a ferramenta não existe.

Usamos o Lovable em projetos específicos, quando o escopo pede — não é a ferramenta padrão da casa, é uma das opções na mesa. Temos projetos no ar feitos nele, com tráfego pago rodando e painéis sob medida entregues a cliente. Então o que vem abaixo não é opinião de quem leu a respeito: é o que a gente aprendeu usando, inclusive onde nos arrependemos.

O que o Lovable é, sem marketing#

Você descreve o que quer em português, e ele escreve o código de uma aplicação web funcionando — tela, banco de dados, login, tudo. Não é um construtor de blocos como o Wix ou o Elementor. Ele gera código de verdade, em React, com banco de dados no Supabase, e hospeda para você.

A diferença importa. Num construtor de blocos, você fica preso ao que os blocos permitem. Aqui, o resultado é um projeto de software como qualquer outro — o que abre uma porta e, como veremos, é a coisa mais importante a entender antes de começar.

Onde ele é muito bom#

Três situações em que a gente usa sem hesitar:

  • Painéis e ferramentas internas. Um cliente precisava ver os números da campanha num painel próprio, cruzando dados que nenhuma ferramenta pronta cruzava. Feito num dia. Custaria semanas do jeito tradicional, e não valeria o preço.
  • Protótipo para decidir. Quando o cliente não consegue explicar o que quer, uma versão navegável em duas horas resolve a conversa melhor que dez reuniões.
  • Sistema atrás de login. Cadastro, área do cliente, formulário complexo, controle interno. Coisas que o visitante nem precisa achar no Google.

Repare no que os três têm em comum: são aplicações, não páginas de conteúdo. É aí que o Lovable brilha.

Onde ele trava#

Site que precisa ser encontrado no Google#

Este é o limite mais importante e o menos comentado. O Lovable gera aplicações em React, que montam a página no navegador do visitante. Para um painel isso é irrelevante. Para um site que depende de busca, é um problema sério: o conteúdo não vem pronto no HTML, e tanto o Google quanto as IAs que respondem perguntas trabalham melhor com página que já chega escrita.

Existem formas de contornar. Nenhuma é o caminho natural da ferramenta, e todas exigem alguém que saiba o que está fazendo — que é exatamente o que você tentou evitar ao escolher a IA.

O custo, que não é fixo#

A cobrança é por créditos, e cada pedido consome uma quantidade diferente conforme a complexidade. Isso muda a natureza da conta: não é uma mensalidade, é um consumo. Um recurso que dá errado três vezes custa três vezes.

Na prática, a fatura sobe justamente nos dias ruins — quando algo não funciona e você fica insistindo. Vale acompanhar o consumo na primeira semana antes de assumir que o valor do plano é o valor que você vai pagar.

O último quilômetro#

Chegar a noventa por cento é rápido e impressiona. Os dez por cento finais — o caso estranho, a integração que ninguém previu, o comportamento no celular antigo do cliente — consomem mais tempo que os noventa iniciais. É onde entra alguém que saiba ler o código, e é a parte que os vídeos de demonstração nunca mostram.

A pergunta que decide tudo: o código é seu?#

Esta é a pergunta que separa um bom projeto de uma armadilha, e vale para qualquer ferramenta de IA que gere site.

No caso do Lovable, a resposta é boa: ele conecta ao GitHub e sincroniza nos dois sentidos. O código vai para um repositório seu, e o que você mudar lá volta para a ferramenta. Ou seja, dá para sair. Se um dia o Lovable subir o preço, mudar de rumo ou fechar, o seu projeto continua existindo — porque ele mora num lugar que é seu.

Ative essa conexão no primeiro dia, não no dia em que precisar. Se você não sabe bem o que é um repositório, escrevemos um guia sobre isso justamente porque é o tipo de coisa que ninguém explica para quem contrata.

Então, dá para fazer o site da empresa com IA?#

Depende do que você chama de site.

  • Uma ferramenta interna, um painel, um sistema atrás de login: sim, e provavelmente vale mais a pena que o caminho tradicional.
  • Uma landing page de campanha, para tráfego pago, que não precisa ranquear: sim, com folga.
  • O site institucional que precisa aparecer no Google, o blog, o e-commerce: dá para começar, mas você vai precisar de alguém para as partes que decidem o resultado — velocidade, estrutura para busca, integração, conteúdo.

E há um ponto que nenhuma ferramenta resolve: ela executa o que você pediu. Se o pedido estiver errado — o público errado, a oferta errada, a página errada para a campanha —, ela entrega rápido e bonito a coisa errada. A parte difícil nunca foi construir.

Como a gente usa hoje#

Caso a caso, e o critério é o escopo. Entra quando o projeto é protótipo, painel de cliente ou landing de campanha. Para site que precisa ser encontrado, seguimos com a arquitetura que controla velocidade e estrutura de busca, porque é ali que o resultado é medido.

Se você já usa o Lovable e quer saber se o que construiu aguenta tráfego de verdade, é uma conversa de quinze minutos e não custa nada.

Não temos nenhuma relação comercial com o Lovable. Somos clientes pagantes, como qualquer pessoa.

Perguntas frequentes

O Lovable substitui uma agência?

Para painel interno, protótipo e landing de campanha, ele substitui boa parte do trabalho de construção. Para site que precisa ser encontrado no Google, não: as decisões que determinam o resultado — velocidade, estrutura para busca, integração e conteúdo — continuam sendo trabalho humano. E nenhuma ferramenta corrige um pedido errado: ela entrega rápido e bonito a coisa errada.

O código feito no Lovable é meu?

Sim, desde que você ligue a integração com o GitHub, disponível em todos os planos. O código sincroniza nos dois sentidos com um repositório seu, e o que você alterar fora da ferramenta volta para ela. Ative isso no primeiro dia: é o que permite sair da plataforma se um dia for preciso. O download direto dos arquivos exige plano pago.

Quanto custa o Lovable por mês?

A cobrança é por créditos, não por mensalidade fixa: cada pedido consome uma quantidade diferente conforme a complexidade, e há plano gratuito com poucos créditos diários. Na prática o gasto sobe nos dias em que algo não funciona e você insiste. Acompanhe o consumo na primeira semana antes de assumir que o valor do plano é o valor que você vai pagar.

Site feito com IA aparece no Google?

Aparece, mas em desvantagem quando é uma aplicação que monta a página no navegador, como as que o Lovable gera por padrão. O buscador e as IAs que respondem perguntas trabalham melhor com página que já chega escrita no HTML. Para landing page de campanha isso não importa, porque o tráfego vem de anúncio. Para blog ou site institucional, importa muito.

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